“CARTAS DA GUERRA” NA CHINA — ENTREVISTA COM IVO FERREIRA

11/11/2016
O ICA entrevistou o realizador de “Cartas da Guerra”, o filme baseado no livro de António Lobo Antunes.
O filme de Ivo Ferreira "Cartas da Guerra” fez a abertura da Festa do Cinema Português na China e o ICA esteve à conversa com o realizador para perceber como foi a reação do público e qual a sua opinião sobre o festival asiático.
 

“CARTAS DA GUERRA” NA CHINA

"Cartas da Guerra" fez a abertura da Festa do Cinema Português na China. Como foi recebido pelo público?

Parece-me que bem. O mais impressionante foi a contextualização histórico-política que a mediadora do Q&A colocou no debate, assim como as referências aos filmes portugueses que tratam de alguma forma o tema "fim do império”. É sinal que há muitas pessoas no mundo que conhecem o cinema português e que lhe reconhece valor e importância.


Houve discussão sobre o filme com o público? Como decorreu?

Há questões que são levantadas nestas conversas que se repetem — e isso é interessante. Por exemplo: o facto de ter adaptado um livro que é uma compilação de cartas de um grande escritor (D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto, de António Lobo Antunes, organizado por Maria José e Joana Lobo Antunes) em vez de não ter pegado num romance; a questão da fotografia a preto e branco do João Ribeiro ou a narração por uma voz feminina, entre outras.


Na sua opinião, a Festa do Cinema Português na China teve o mérito merecido?

Não me parece que tenha tido a divulgação merecida, mas o mais importante é que o protocolo de co-produção se realize em tempo útil. É preciso dizer que há protocolos equivalentes entre a RPC e a Coreia, Índia, Singapura, Bélgica, França, Espanha, Itália, Reino unido, Holanda, Estónia, Malta, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. O que é preciso é que se assine urgentemente o protocolo: não o fazer significa, para a R.P. da China, que não há verdadeiro interesse. O que seria pena porque a RPC tem tentado dar uma particular atenção a Portugal até pela relação que pode ter com os PALOPS, sendo que a R.A.E. de Macau desempenha aqui um papel fundamental, nomeadamente através do FORÚM MACAU.


Considera que este tipo de iniciativa contribui para a internacionalização do cinema nacional?

Evidentemente. Sobretudo para um mercado com uma classe média emergente, cada vez mais interessada no "outro”, especialmente o europeu.


Tem algumas expetativas de que esta divulgação do Cinema Português na China possa abrir portas para o desenvolvimento dos seus projetos?

Absolutamente. Está-se aliás neste momento a fechar uma co-produção com a R.P.C./ Portugal/ Macau que permitirá a distribuição de filmes portugueses na China. E muitos outros projetos ao abrigo deste (pré) protocolo estão em marcha mas… à espera que seja definitivamente assinado.