LOIS PATIÑO PREMIADO NO FESTIVAL DE SÃO FRANCISCO

23/05/2016
O ICA entrevistou o realizador de 'Noite Sem Distância', que nos contou como foi trabalhar nesta obra repleta de novas experiências.

A curta "Noite Sem Distância”, realizada pelo galiciano Lois Patiño e produzida pela portuguesa Curtas Metragens CRL, foi galardoada, no 59º Festival Internacional de Cinema de São Francisco, com o prémio de Melhor Curta-Metragem.

Esta obra retrata as histórias passadas na fronteira entre o Gerês e a Galiza (Espanha), destacando o tema do contrabando e o papel que os contrabandistas têm no desenvolvimento das regiões fronteiriças.

Lois Patiño contou-nos como foi trabalhar nesta curta-metragem resultante de uma parceria transfronteiriça entre Portugal e Espanha, que considera ter sido uma experiência nova e valiosíssima para todos os envolvidos.

 

“Até este filme, trabalhei sempre sozinho.”

Como esta curta foi uma produção no âmbito do projeto CAMPUS, o realizador contou com uma equipa técnica sempre presente nas filmagens: dois estudantes de cinema e audiovisual (um responsável pela gravação de som em direto e outro como assistente de câmara) e um produtor.

Patiño viu a sua obra fortalecida e sentiu maior liberdade naquilo que, até ao momento, havia feito apenas com as suas duas mãos: "Normalmente, a minha preocupação é trabalhar com a câmara, editar o filme… desta vez, o desafio foi ‘como é que eu vou gerir uma equipa?’”

Extremamente satisfeito com esta experiência, o realizador espera voltar a ter o prazer de trabalhar com uma equipa portuguesa e acrescenta que ”foi bom ter trabalhado com um grupo pequeno porque foi tudo muito familiar e os momentos passados foram muito bons.”




“Foi a primeira vez que fiz um filme com narrativa e representação.”

Esta curta-metragem foi um passo novo em vários sentidos. Para a população local, que foi envolvida nas filmagens enquanto atores, foi uma experiência entusiasmante. Com um portfólio impressionante de documentários experimentais, Lois Patiño incluiu atores no seu trabalho pela primeira vez.

Neste caso, os atores eram a própria população local. Em contacto com os residentes das pequenas aldeias que se escondem na serra, Lois veio a descobrir que "muitos deles tinham sido contrabandistas na sua juventude, o que foi muito interessante para a curta”. Inspirado pelas histórias do passado daquele povo, Lois Patiño julga que esta obra, uma mistura de documentário experimental com ficção, saiu especialmente enriquecida graças à autenticidade dos atores, que relembram os seus tempos passados ao olho da câmara.

Nas filmagens, os atores surgem imóveis e imersos no cenário natural da serra, silenciosamente à espera da noite para atravessar a fronteira: "As pessoas são como fantasmas – memórias da paisagem”. Esta atmosfera é avigorada pela inversão de cores característica desta curta-metragem.

A inversão de cores foi uma decisão engenhosa do realizador, que queria capturar a noite mas não tinha recursos técnicos necessários para tal. Com as cores invertidas, as filmagens, feitas durante os dias brancos e claros do alto da serra, tornaram-se escuras, conseguindo-se a "noite” na qual os contrabandistas atuavam.





Lois Patiño mostrou-se imensamente grato por ter trabalhado em conjunto com a produtora portuguesa e espera, no futuro, ter mais oportunidades de se juntar a Portugal. O realizador defende que este tipo de trabalho conjunto entre países vizinhos deve ser fomentado e acredita que, daí, surgirá uma maior proximidade entre Portugal e Espanha.

A curta-metragem "Noite Sem Distância” é uma produção Curtas Metragens CRL no âmbito do projeto CAMPUS e faz parte do catálogo de filmes da Agência da Curta Metragem. Para além de ter sido premiada no Festival Internacional de Cinema de São Francisco, a obra já foi selecionada para vários festivais internacionais, entre os quais os de Locarno, Toronto, Nova Iorque e Hong Kong.


Veja o trailer da curta-metragem.