LUÍS GALVÃO TELES: “VAMOS COLOCAR EM CENA UMA EXCELENTE COMÉDIA!”

06/05/2016
O ICA subiu até ao 28º andar das Twin Towers, em Lisboa, para entrevistar o realizador de “Refrigerantes e Canções de Amor”. Luís Galvão Teles desvendou alguns pormenores do filme, mas deixou o que realmente importa para a estreia, a 25 de agosto. O argumento é escrito por Nuno Markl, há música, Jorge Palma, Ivo Canelas, João Tempera e Lúcia Moniz no elenco e ainda dinossauros e supermercados.

Escolhemos um decor com algum glamour para a conversa com Luís Galvão Teles. Chegamos, instalamo-nos onde havia espaço, onde não havia cabos de electricidade, onde não havia caixas, máquinas ou material relevante para filmar. Havia, no entanto, um pequeno metro quadrado disponível. Foi aí que ficamos e foi também aí que Luís Galvão Teles fez o convite para nos sentarmos.

O tempo é escasso — as filmagens estão prestes a iniciar — e a conversa começa sem demoras. A entrevista, ainda assim, decorre sem pressas e logo com uma data: "o filme estreia no verão, a 25 de agosto, estejam atentos!”, lança Galvão Teles, para depois explicar o que, na sua opinião, significa "Refrigerantes e Canções de Amor”. "Vamos colocar em cena uma excelente comédia romântica e musical”, antevê.

Mais a sério, o realizador de "Dot.Com” passa para as primeiras considerações sobre o filme. "Esta obra vai abordar aspetos da nossa vida quotidiana e na possibilidade desta se transformar em fantasia. Queremos retirar aquela carga existente nos dias de hoje de que viver é difícil”, explica. "Misturamos ainda o supermercado com a música. Ou então não misturamos, logo se vê!”, continua.

 

O GUIÃO E MARKL

Sobre o nome escolhido para o filme e regressando à tónica descontraída, Galvão Teles dá os créditos a Nuno Markl, autor do guião. "O processo de escolha de um nome para o nosso filho é sempre complexo! Sendo que este foi o título com que o Nuno  Markl o batizou”, desvenda.





Uma das particularidades de "Refrigerantes e Canções de Amor” tem a ver com o facto de o guião estar escrito há oito anos. O tempo foi passando mas a esperança que o projeto avançasse nunca esmoreceu, conforme explica o realizador. "É a realidade do nosso país, mas acaba por ser um processo normal. A indústria atravessou uma fase complicada em que não houve quase produção nacional. Tivemos ainda uma grave crise e — outro aspeto que poucos darão importância — a comédia em Portugal quase sempre foi um filho bastardo no cinema”, lamenta.

Ainda sobre o mesmo tema, o realizador recorda o seu segundo filme, "A Vida é Bela”, para justificar a posição. "Não era considerado cinema. Era uma comédia, um estilo bastante desvalorizado no passado. Hoje não é assim, o género tem evoluído muito em Portugal, temos tido grandes produções e êxitos. Ganhou-se um maior respeito pela comédia”, congratula-se.

Da comédia para o argumento de Markl, o realizador recorda um episódio caricato. "Estive muitos anos fora do país e sabia que tipo de comédia se fazia em Portugal, pelo que tive algum receio que o guião refletisse o que se ia passando na televisão portuguesa da altura. Atenção, toda esta desconfiança sucedeu antes de saber que o guião tinha sido escrito pelo Nuno. Ao ler o texto, depressa exclamei: "isto é cinema! isto é muito bom!”.

...A MÚSICA!

Curiosa é também a mistura existente no filme entre atores e músicos. Quisemos saber mais sobre essa fusão e Galvão Teles abriu um pouco o véu. "Por falar nisso, o Jorge Palma deve estar a chegar”, desviando um pouco a cabeça a ver se era o artista a entrar pelo duplex adentro. Mas não era.






"Ele vai ter um papel muito importante, têm que esperar para ver! Temos ainda o Ivo Canelas e o João Tempera que farão de músicos profissionais. O nome já diz alguma coisa: "Canções de Amor”. É aguardar até ao verão”, finaliza, ajeitando os óculos à Woodie Allen e partindo, rápido, para o trabalho.