MOTELX 2017 – ENTREVISTA COM A DIREÇÃO DO FESTIVAL

01/09/2017
O MOTELX - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa está quase a começar e o ICA conversou com a direção do festival.

A 11ª edição do MOTELX decorre entre os dias 5 e 10 de setembro, em Lisboa.

Teatro Tivoli BBVA, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e outros espaços em Lisboa são os locais que vão receber o Festival de Cinema de Terror MOTEL X. 

A programação conta com a exibição de mais de 70 filmes nacionais e internacionais. Mas não fica por aqui: a direção do festival conta-nos tudo. 

 

O INÍCIO DO FESTIVAL

Houve algum festival que inspirou a génese do MOTELX? Uma espécie de "ídolo”?

Não podemos falar exatamente de um "ídolo”. Os festivais que tínhamos visitado – como o Fantasporto, o Festival de Cinema de Sitges ou o Frightfest em Londres – foram essenciais para a nossa formação enquanto cinéfilos e incentivaram-nos a explorar de forma mais aprofundada o grande universo do cinema de género.  

Em 2003 criámos um Cineclube de terro, apresentando sessões especiais de filmes sem estreia em Portugal em sítios como o antigo Cinema King, o Instituto Franco-Português e a Cinemateca. Podemos dizer que é do trabalho que aí desenvolvemos que vem a inspiração para o MOTELX.

AS NOVIDADES DESTA EDIÇÃO

O que há de diferente nesta edição do festival em relação às anteriores?

Esta edição é diferente porque participa na celebração de Lisboa enquanto Capital Ibero-Americana da Cultura, o que significa que as secções paralelas são dedicadas a esta comemoração – Quarto Perdido, Lobo Mau e Sessões especiais – e propõem uma viagem pelo cinema de terror latino-americano com filmes, palestras e um convidado de honra chamado Alejandro Jodorowsky. 

Mas este ano acontece também algo que já não víamos no MOTELX desde a visita de Tobe Hooper e Hideo Nakata, isto é, dois convidados de honra. A juntar-se a Jodorowsky, temos Roger Corman, o rebelde de Hollywood que a Academia reconheceu com um Óscar Honorário. A presença de ambos é, sem dúvida, um dos grandes destaques do festival: terão uma sessão nobre no Teatro Tivoli BBVA, darão masterclasses no Cinema São Jorge seguidas por sessões de autógrafos e serão agraciados com a estatueta MOTELX – Mestre de Terror. 

OS CONVIDADOS ESPECIAIS

Que outros grandes convidados podemos esperar e que atividades estão planeadas com estes cineastas?

Haverá alguns convidados de peso, como o nome mais famoso do terror holandês: o irreverente Dick Maas, realizador de DE LIFT (1983) ou AMSTERDAMNED (1988). A atriz austríaca Birgit Minichmayr, com papéis em filmes como A QUEDA: HITLER E O FIM DO 3º REICH ou o vencedor da Palma de Ouro O LAÇO BRANCO, de Michael Haneke, virá ao festival apresentar ANIMALS. 

Também da Áustria vem o realizador Stefan Ruzowitzky, vencedor do Óscar para Filme Estrangeiro em 2007 com OS FALSIFICADORES, que nos traz o seu último filme COLD HELL.

Nos eventos paralelos, quais as novidades que vão aterrorizar o público nesta edição?

A título de exemplo, temos programada uma leitura de um guião de um filme de terror português prestes a entrar em pré-produção. Trata-se de LINHAS DE SANGUE, curta-metragem de Manuel Pureza exibida há uns anos no festival e que o realizador vai transformar em longa com o apoio da NOS. Teremos, então, o elenco oficial deste filme (Rita Blanco, Pêpê Rapazote, José Raposo, Soraia Chaves, entre outros) a ler os seus personagens ao vivo numa sessão totalmente imprevisível.

Outros acontecimentos previstos são uma maratona literária inspirada na noite em que Mary Shelley "deu à luz” Frankenstein, na qual os participantes terão de escrever um conto durante a noite com o auxílio de um painel de convidados que inclui Filipe Homem Fonseca, Rui Cardoso Pires, Kim Newman ou Jerónimo Rocha. Ainda no campo literário, teremos a apresentação de uma coletânea de contos de Edgar Allan Poe pela Saída de Emergência e outra apresentação conjunta com dois livros acerca de dois cineastas – Jean Rollin e Walerian Borowczyk – que em comum partilhavam uma tendência para o terror erótico.



O FUTURO DO TERROR

Que planos para as próximas edições?

Em 2017, passam 11 anos desde que o MOTELX trabalha para ser a marca associada ao cinema de terror português. Quando começámos era nula a produção deste género de filmes no nosso país; neste momento, recebemos cerca de 80 curtas provenientes da Portugal Continental e Ilhas. Para esta explosão de atividade, muito contribuiu a competição de curtas-metragens portuguesas, que chega a esta 11ª edição com o maior prémio do país: 5000€ em dinheiro e outros 5000€ em serviços de pós-produção pela Kino Sound Studio.

A nossa estratégia para o futuro passa por conseguir uma maior exposição do festival ao longo do ano, por exemplo através de uma descentralização do MOTELX. As experiências que temos feito nesta área têm sido um sucesso: Festival Vírus em Leiria, Casa da Cultura em Ílhavo, Shortcutz Viseu, Comic Con de Matosinhos, entre outras.  Tendo ainda em consideração a diversidade geográfica das propostas recebidas na competição, temos a indicação de que há uma necessidade de estender a ação e o prestígio da marca MOTELX pelo país inteiro.